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Versos sobre minha prosa

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  Gosto de cantar verso Gosto de contar prosa Gosto de causar angústia Ou uma alegria gostosa Mas uma dúvida incômoda Invadiu meu coração Tem a ver com a prosa crua Que concebo de lápis a mão Sei que sou poeta A cada palavra que verso Mas será que há poesia Quando descrevo um meu universo? Será que houve poesia Cada vez que pari minhas histórias? Ou as narrações foram um amontoado De palavras aleatórias? Há poesia na minha prosa? Mas que tema foi esta glosa!

Aos filhos da pátria amada

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Nossas matas virgens São vendidas a cafetões Nosso ouro e nossas riquezas São levados por ladrões Nosso céu azul É velado por carbono Das estrelas morre a esperança A sensação é de abandono Muito se grita, muito se bate E os de cima se riem "O povo que se cate" Irmãos, somos filhos desta terra Ostentem a faixa de ordem Que o progresso nos espera

A musa traiçoeira

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Gilberto estava cansado. Gilberto deitou-se. O chão era quase tão gelado quanto os julgadores corações humanos. Gilberto chorou uma última vez. Ele sabia. Tinha a mais absoluta certeza. Seria a última vez. O último choro, a última alegria, o último prazer, o último suspiro de alívio. Gilberto desistira da Felicidade; era ela apenas uma musa inalcançável, dama intocável, ídolo imune e indiferente a seu desespero e desgraça. “Felicidade... Maldita rainha das meretrizes mais imundas dos subúrbios mais decaídos!” Gilberto desdenhava aquela que já não lhe olhava nos olhos, que fazia questão de não permitir-lhe seu gosto cálido, que dançava diante dele de orgulho inflado. “Muitos tocam-me, beijam-me, provam-me, e tu nada podes... Coitado e miserável Gilberto... Alguém acaso lembra ainda quem és?...” O corpo envenenado de tristeza e amargura treme convulsivo. O frio não se faz sentir mais. A madrugada segue calada, seu silêncio a confortar as almas moribundas das esquinas. O ...

As glórias de Eva

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Canta, mãe terra Ou antes chora de desgosto Por teus filhos ingratos Presos a orgulhos inatos O amor do peito já deposto Chorem, mulheres Na dor de parir Um fruto corrompido Do céu de sangue caído E de quem a vida verão ruir Geme, garota A quem difamaram Por teu jeito torto ou corpo dado Não te culpes pelo humor dilacerado De ódio e rancor é que te armaram Lamenta, menina Regrada na prece Desnutrida de força Para ser boa moça Em cujo peito o orgulho perece

Gravidade

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A tristeza profunda Me entrega, contente, O fruto da desgraça Como fosse uma serpente A Treva peçonhenta Me afoga no medo Me devora com a força De um buraco negro Abafo as feridas E não canto alegre Estes versos puídos Às traças entregues A alegria, mofada Já não se debate Aceitou seu destino De porco no abate Como ser da escuridão Afugentei a luz Vê este brilho de vida? Ele não me seduz